Após meses sem qualquer registro de localização, uma das maiores fêmeas de tubarão-branco monitoradas por cientistas no Atlântico Norte voltou a ser detectada na costa dos Estados Unidos. Batizada de Grey Lady, a fêmea de 3,78 metros de comprimento e cerca de 518 quilos reapareceu próximo à região de Edisto, na Carolina do Sul, reacendendo o trabalho de pesquisadores que acompanham seus deslocamentos por satélite.
O animal é monitorado pela organização norte-americana OCEARCH, que estuda grandes predadores marinhos por meio de transmissores instalados na nadadeira dorsal. O equipamento envia um sinal apenas quando rompe a superfície da água por alguns segundos, permitindo que satélites registrem a posição do tubarão.
A ausência de transmissões por longos períodos é considerada comum. Como os tubarões-brancos passam boa parte do tempo em mergulhos profundos, o transmissor permanece submerso e não consegue estabelecer comunicação com os satélites. Além disso, o acúmulo de organismos marinhos sobre o equipamento pode reduzir temporariamente sua eficiência.
O novo registro confirma que Grey Lady continua utilizando a costa leste dos Estados Unidos durante seus deslocamentos sazonais. Segundo os pesquisadores, a Carolina do Sul integra uma importante rota migratória da espécie, que costuma seguir o deslocamento de presas como focas e grandes cardumes ao longo do Atlântico Norte.
O monitoramento de indivíduos conhecidos permite aos cientistas compreender melhor os padrões de migração, alimentação e reprodução dos tubarões-brancos. Essas informações são usadas para orientar medidas de conservação da espécie, considerada vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Grey Lady é um dos diversos tubarões acompanhados pela OCEARCH. Nas últimas semanas, outro animal monitorado pela organização, o macho Contender, de cerca de 4,2 metros e 770 quilos, também voltou a emitir sinais após meses sem registros, reforçando a importância da telemetria para acompanhar grandes predadores oceânicos ao longo de suas migrações.
FONTE: O GLOBO | Época
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