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terça-feira, 7 de julho de 2026

Familiares e amigos famosos se despedem de Benedito Ruy Barbosa em velório

 Familiares e amigos famosos se despedem do autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, que morreu nesta terça-feira (7). O velório é realizado na Funeral Home, em São Paulo. Autor de sucessos como O Rei do Gado (Globo, 1996) e Terra Nostra (Globo, 1999), o escritor teve passagens por diferentes emissoras. Veja os relatos emocionantes de cada um deles.

Ruy Maurício, filho do autor

"Ele tinha grande amor pela terra, pelo campo. Trabalhou em cafezal, viveu em fazenda e transmitiu isso através de sua obra. Ele gostava de mostrar a vida no campo e os valores da família", afirmou o filho de Benedito.
Bruno Luperi, neto de Benedito
"Parece que a gente estava ensaiando se despedir. Além de neto, sou fã incondicional e admirador. Pude trabalhar com ele homenageá-lo em vida. Foi um gesto muito bonito da Globo produzir as novas versões de Pantana e Renascer. O convite que faço é celebrar o legado que ele deixa. O trabalho dele é eterno. Ele estão no panteão dos imortais da TV e da literatura brasileira", afirmou o neto do autor.
Edilene Barbosa, filha do autor
"Além de um grande autor, ele era meu pai, avô dos meus netos, biso dos meus bisnetos... Como ele fazia os netos dormir? Começava a contar histórias do Pantanal, contava as histórias dos bichos, era um grande contador de histórias. Ele não escrevia no silêncio, escrevia no meio da copa de casa. Nos últimos tempos, ele teve um problema nos rins. Ele estava lúcido, mas não suportaria um transplante. Por conta da questão renal, ele passava por internações. De janeiro para cá, a situação foi complicando", afirmou a filha de Benedito.
Cristiana Oliveira, a eterna Juma de Pantanal
Eterna Juma de Pantanal, a atriz que trabalhou com Benedito em mais de uma novela comentou sobre sua relação com o autor. "Estou muito triste, muito emocionada, mas extremamente grata por tudo que o Benedito fez por mim, que foi me dar esse presente tão maravilhoso, tão eterno que foi a Juma Marruá em Pantanal e depois repetir a nossa dobradinha em 2009 na segunda versão de Paraíso", disse.
"Benedito deixa um legado imenso que com certeza as filhas, os filhos em geral, o neto Bruno Luperi, vão continuar. As novelas dele são atemporais porque fala de Brasil extremamente simples, fala de Brasil raiz, Brasil que talvez o Brasil não conheça", completou.
"Eu acho que o Benedito é um homem que vai deixar uma história, já deixou! Uma história marcada na televisão e no coração de todo mundo do Brasil pela profundidade do trabalho dele, desse Brasil que a gente ama", refletiu o ator. Leopoldo esteve em duas novelas do autor: Paraíso (2009) e Velho Chico (2016).
Paula Barbosa, neta do autor e atriz
A filha de Edilene Barbosa, Paula Barbosa
relembrou sobre como foi começar a atuar por influência do avô. "Foi a realização de um sonho. Quando ele resolveu me dar uma oportunidade, foi que eu pensei 'se ele está achando que eu tenho capacidade, então eu tenho que acreditar em mim e seguir esse meu sonho de ser atriz'. E ele me acompanhava em todas as peças, desde criança, até nas peças da escola", contou.
Sérgio Reis
Amigo de longa data do autor, ele se emocionou ao relembrar quem era Benedito longe dos holofotes: "Como amigo, ele era campeão. Ele era um amigão mesmo. Tanto é que fui no aniversário e agradeci à família, ele estava bem doentinho já, e disse 'eu devo minha vida a ele'. Então, hoje é um dia triste para mim".
Almir Sater
"Diria que ele alavancou minha carreira artística, acreditou na minha viola e trouxe ela para o grande público. Ruy é um cara que fez muita diferença na minha vida e estará sempre no meu coração", disse o artista, figura importante na dramaturgia de Ruy Barbosa.
Milton Neves, jornalista
Segundo o jornalista, a partir de um encontro casual com o autor de novelas, a sua vida foi transformada. "O Benedito Ruy Barbosa foi responsável pela minha ascensão na profissão porque eu era apenas um repórter de trânsito e o encontrei no DETRAN, renovando a carta de motorista quando eu era assessor de imprensa lá. Ele gostou de mim e, dali a uns dias, virei o Coronel Milton Neves. Isso alavancou a minha profissão, o meu valor, meu cachê, minha importância no rádio ou na televisão", relembrou.
"Foi um encontro casual lá no DETRAN e como eu sou de Muzambinho, e ele era casado com uma moça de Muzambinho, a gente ficou amigos. Um homem humilde, um gênio, o maior da história. Você conversando com ele, a impressão que dava é que ele era uma pessoa muito simples, não tão importante, não tão genial, um homem maravilhoso, não é porque morreu, mas é gratidão que eu sinto é a primeira virtude do homem, base de todas as demais", completou.
Os atores Tarcísio Filho e sua mãe, Glória Menezes, enviaram para o velório uma coroa de flores brancas. "Com todo respeito, amizade, carinho e admiração", estava escrito no objetivo e eles assinaram como "amigos".
Ao longo da carreira, escreveu A Última Testemunha (Record, 1968), Os Imigrantes (Band, 1981) e Pantanal (Manchete, 1990). Em ua trajetória, apostou em obras com questões sociais relevantes, narrativas envolventes e personagens de grande força dramática.
Trajetória de Benedito Ruy Barbosa
O mais velho de cinco irmãos, Benedito Ruy Barbosa nasceu no dia 17 de abril de 1931, no município de Gália, no interior de São Paulo. Passou a infância na cidade vizinha, Vera Cruz, uma área de cafezais com grande concentração de imigrantes japoneses e italianos. Seu pai, Otávio Barbosa, fundou e dirigiu o jornal A Voz de Vera Cruz até morrer, aos 29 anos, em 1942.
Ainda criança quando o pai morreu, Benedito precisou arrumar um emprego para ajudar sua mãe, Aurora Medeiros Barbosa, que não tinha condições de sustentar a família. Seu primeiro trabalho foi como auxiliar de guarda-livros em uma firma comercial. Sem perspectivas de crescimento no interior do estado, foi morar sozinho em São Paulo, onde passou a estudar à noite e trabalhar durante o dia no escritório que a mesma firma mantinha na capital.
Mais tarde, quando estava mais estável financeiramente, buscou a família no interior e passarem a morar em um cortiço no bairro do Bom Retiro. Benedito complementava sua renda trabalhando como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco. Depois, graças aos conhecimentos contábeis, conseguiu um emprego no Banco de Boston. Mais tarde, deixou o banco e voltou a trabalhar na firma comercial por alguns anos, em um escritório em Maringá, Paraná.
Durante a temporada na zona rural paranaense, escreveu seu primeiro romance: Fogo Frio, que, em 1959, a convite de Oduvaldo Viana Filho, se tornaria peça de teatro
dirigida por
Augusto Boal no Teatro de Arena – vencedora do prêmio principal da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).
Em 1954, passou em um concurso promovido pelo jornal Estado de S. Paulo e foi contratado como revisor. Sua estreia como repórter aconteceu na editoria de Esportes do jornal Última Hora. Trabalhou ainda na Gazeta Esportiva e foi redator de publicidade da Radial Propaganda.
Quando Fogo Frio virou sucesso de bilheteria e o rendeu um convite para trabalhar como roteirista na agência J. W. Thompson, passando a cuidar de todas as novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive. Contratado como autor pela multinacional, escreveu a novela Somos Todos Irmãos (1966), exibida pela TV Tupi. Trabalhou ainda na extinta Excelsior e na TV Cultura.
FONTE:Quem / g1

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