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terça-feira, 19 de maio de 2026

Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no Brasil

 

Natural de Lins (SP), Waldirene tinha 80 anos e morreu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda. Ela ficou marcada pela luta por reconhecimento e direitos da população trans no país.

Morreu nesta terça-feira (19), aos 80 anos, Waldirene Nogueira, primeira mulher trans do Brasil a passar por uma cirurgia de redesignação sexual.

Natural de Lins (SP), ela morreu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda. A informação foi confirmada pela família.

Segundo Alessandra Cotrim, sobrinha de Waldirene, ela vivia acamada em Ubatuba, sob os cuidados de um dos irmãos.

De acordo com a funerária responsável pelo sepultamento, o corpo será levado para Lins, onde será velado na manhã desta quarta-feira (20), a partir das 7h, no Memorial Santa Izabel. O enterro está previsto para as 17h, no Cemitério da Saudade.

PIONEIRA E PERSEGUIDA PELA JUSTIÇA: conheça a história de Waldirene Nogueira

Pioneira

Nascida em 1945, Waldirene foi registrada ao nascer como Waldir Nogueira. Em 1969, começou a ser acompanhada pela endocrinologista Dorina Epps, no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Após dois anos de avaliações médicas e psicológicas, recebeu o laudo que reconhecia sua transexualidade.

A cirurgia de redesignação sexual foi realizada em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, pelo cirurgião plástico Roberto Farina.
O procedimento é considerado o primeiro do tipo realizado no Brasil.

Após a operação, Waldirene enfrentou uma longa batalha judicial. Ao tentar alterar seus documentos, viu o médico Roberto Farina ser condenado a dois anos de reclusão por lesão corporal gravíssima em razão da cirurgia.

Em 1976, ela foi levada de forma coercitiva ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames invasivos e foi fotografada nua. Mesmo diante da pressão, Waldirene atuou na defesa do
cirurgião, reunindo cartas de apoio de autoridades e familiares.

O pedido de alteração do nome foi negado inicialmente, e ela permaneceu registrada como Waldir por décadas. A retificação na certidão de nascimento só ocorreu em 2010, quando tinha 65 anos. O novo RG foi emitido em 2011.

Formada em contabilidade, nunca exerceu a profissão por causa da divergência entre sua identidade e os documentos civis. Ao longo da vida, trabalhou como manicure e viveu de forma discreta.
FONTE: g1 / Bauru e Marília Tem TV
Por Paulo Piassi, Luís Ricardo da Silva, g1 Bauru e Marília

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